terça-feira, 20 de setembro de 2011

Por uma vida sem limites...

Feche seus olhos e não abra. Tente colocar sua roupa, buscar sua carteira, calçar seus sapatos e descer à padaria de olhos fechados. Abra a porta de casa, localize o espaço que você tem para transitar entre os carros, atravesse a rua... cuidado! Não tropece no meio fio! Levante seus pés! Continue. Tem uma escada ali. Suba. Chegou. É a padaria. Escolha o pão. Coloque no saquinho. Pague. Conte seu troco. Pronto. É só descer a escada de volta, tomar cuidado com o meio fio e com a travessia da rua e chegar em casa de novo.  



Conseguiu imaginar as barreiras que uma pessoa com deficiência visual enfrenta para fazer algo tão banal pra você e para mim?

Imagine fazer o mesmo percurso numa cadeira de rodas. 
Pense ainda que você é surdo-cego...
Imagine-se autista, desejando comer pão e não conseguindo sequer expressar seus desejos. 

Não! Não é para ter pena! É para ter respeito! E é para admirar sim!!! 

De acordo com o Censo 2010, estima-se que 45,6 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência no Brasil. Equivale dizer que 1/5 da população brasileira precisa realizar este trajeto e percursos muito maiores todos os dias sem um mínimo de acessibilidade e com um único desejo: a vida inteira e plena! 

O Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pelo movimento social em 1982 e formalizado pela Lei 11.133 de 14 de julho de 2005, mas a verdade é que não tem um só dia que essa gente não lute. E lute muito!

A Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência não é um norte, como vejo magistrados, promotores e advogados afirmando por aí. A Convenção é lei internacional e que, a partir de sua ratificação no Brasil, em 2008, passou a integrar o texto constitucional, conforme a Emenda nº 45 da CF. Lei Máxima e, portanto, inquestionável!!!!

Martin Luther King Jr. uma vez afirmou que tudo que é feito no mundo é feito pela esperança. Gosto dessa frase. Aliás, eu gosto de tudo que é utópico. Sem utopia, nossos passos ficam pequenos demais. Desejo morrer sonhando e fazendo algo para mudar um pouquinho esse mundo. 

Universalizar direitos num país tão desigual não pode ser responsabilidade única do Estado e de quem detém o poder. Acessibilidade é algo que vai muito além de uma rampa e de uma porta mais larga. O mundo será acessível quando cada um de nós arregaçarmos nossas mentes e corpos para nos colocarmos no lugar do outro. Um mundo acessível é um mundo onde a saúde e a vida são consideradas um bem maior, onde a escola é para todos, onde o cego tem livros em braile, onde o surdo conversa em libras e é entendido, onde todos tem suas limitações e habilidades respeitadas e valorizadas. 

Tornar o mundo acessível é tarefa de todos nós. 

Um dia eu disse isso e uma amiga me falou: "-Mas, eu não posso fazer nada. Sou só uma dona-de-casa." Eu respondi: "Comece abraçando a minha filha quando ela abraçar você." Não dói, não mata... 

Você é síndico? Minimize as barreiras atitudinais do edifício onde você mora. 
Você é empresário? Será que seu estabelecimento está pronto para todos? Quantos clientes você pode ganhar se torná-lo mais acessível?
Você é professor? Será que você está potencializando as habilidades dos seus alunos ou maximizando suas limitações?
Você é médico? Já procurou entender como pode atender melhor um paciente com deficiência? 

Todo mundo pode fazer alguma coisa. É só querer! 
Ame! O fim de todos nós é o mesmo. Somos todos iguais e nossos corpos apodrecerão todos debaixo da terra. 
A diferença está no que você faz ao longo da sua vida. Só!

21 de setembro: Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência.

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