Quando soube que minha filha era uma criança com síndrome de angelman foi um alívio... O luto eu vivi antes, quando percebi que algo estava errado. Ter um diagnóstico foi um alento, uma canção de ninar para quem não conseguia mais dormir pensando: "- O que minha filha tem?"
Nesta altura, eu já sabia o que desejava para ela: uma vida sem limites. E a menina não tinha sossego... era fisioterapia, equoterapia, musicoterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicomotricidade e tudo mais que me desse esperanças de alguma qualidade de vida para minha pequena.
Olho pra trás e sei que fiz tudo que eu podia e também o que não podia. Se adiantou? Sim. Ela anda, criou um repertório vasto de comunicação, consegue realizar as tarefas de vida diária com ajuda e está desenvolvendo muito bem.
Mas, sua adolescência chegou rápido demais e sem me perguntar se eu estava pronta para vê-la crescer. Minha filha tem um espectro autístico bem definido e que tem desafiado os meus neurônios na tentativa de entendê-la. Por vezes, acho que ela é mimada, voluntariosa e que só faz o que quer. Por vezes, acho que sou dura demais e não deixo que ela se expresse e que manifeste o que ela realmente deseja. Portanto, sequer consigo perceber quem sou nesse papel de mãe (a liberal ou a durona?). Não consigo saber se ela está feliz. Isso me mata.
Já passei por muitas fases difíceis com a Ana Luísa... tempos em que eu achei que ela não iria mais andar, tempos em que ela tinha tanta pneumonia que eu achava que uma hora o pulmão não aguentaria, tempos em que eu achei que ela só conseguiria se alimentar por sonda... Entretanto, eu sempre soube o que fazer e agora eu confesso que não sei mais.
É interessante. Mãe acha que é Deus. Até crê, reza, pede, ajoelha e chora suplicando que o Pai olhe por sua cria, mas no fundo, ela acha que é capaz de resolver tudo (ou será que essa soberba é só minha?). Mas, tem uma hora - que pode chegar mais cedo ou mais tarde - em que não somos capazes de nada.
A impotência diante de um filho é algo infinitamente dolorido. Como é difícil entrar no seu mundo e descobrir o que ela anseia, o que pensa, o que sonha.
Meu coração se acalma quando penso no meu outro filho. João fala "pelos cotovelos", gosta de conversar, confia em mim e divide seus segredos comigo. Mesmo assim, não sou capaz de saber tudo que se passa dentro da sua cabeça e de seu coração, porque somos seres humanos complexos demais para sermos plenamente entendidos pelo outro.
E assim, seguimos... impotentes diante das dores de nossos filhos. Nos resta despir da soberba e acreditar que há dores que mãe nenhuma será capaz de curar.
Para todas as mães soberbas como eu.
Beijos.
Adriana Monteiro da Silva
Minha querida Dri,
ResponderExcluirSou mãe de dois adultos já, você sabe e passei por todas as fases da maternidade: bebê, criança, pré-adolescente, adulto, formatura, casamento, sou até avó. Tive o Thales, chamado especial e posso te afirmar que o que você sente é algo tão, tão materno...A gente tem expectativas de felicidade, de harmonia para os filhos amados que são nossas, não deles. Muitas vezes achamos que erramos, sentamos no chão e dizemos: e agora? Quantas vezes fiz e faço isso!
Por muito tempo me culpei por ser assim, hoje penso: que bom! Ser mãe é como ser qualquer outra coisa, um aprendizado constante cheio de erros, acertos e muitas tentativas...rs. bjos
É querida! É tão normal... acho q toda mãe sente, né? O importante é deixar a culpa ir embora...
ExcluirTe amo.
bj